Não deixar a Congregação, não tem nada a ver com “não deixar a denominação”


Por Ricardo Braz

"Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia."
Hebreus 10:25


Tenho firme convicção de que uma das armas mais eficaz e também mais utilizada por satanás para enganar os cristãos atualmente é a religiosidade. “J. Preston Eby”.
Um dos textos favoritos dos religiosos assíduos, pregadores de púlpito e até exploradores do evangelho, e aqui faço questão de mencionar com letra minúscula, “evangelho”, é um escrito aos Hebreus onde é citado:
Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima. Escritor aos “Hebreus”.

O engraçado é que sempre são utilizados textos fora do contexto para expressar suas vontades e desejos de controlar os Filhos de Deus. E como Preston afirmou em seu livro, satanás gosta muito de utilizar a religiosidade para enganar os cristãos, tornando-os iguais ou piores que os fariseus, bonitinhos por fora e por dentro cheio de toda sorte de podridão… Hipócritas!
Usam a Escritura assim como satanás a usou para distorcer o significado da vontade de Deus em relação ao Filho, e em relação aos Cristãos, e para isto retalham, despedaçam, invertem, não consideram o contexto histórico dos acontecimentos da Palavra revelada. E com isso, pregam qualquer coisa, afinal, para tudo se encontra justificativas na Bíblia, até mesmo para um Filho de Deus se lançar de um penhasco abaixo e se suicidar, pois  existem textos também para isso (fora do contexto, é claro).
A religião humana é a grande contradição terrena, cada uma quer ser a correta, ou mais grave ainda, cada uma se coloca no lugar do Filho de Deus, Jesus Cristo, o Senhor, e se considera o “Caminho” e/ou o intermediário entre Criador e criaturas. E a ironia disso tudo é que a única Religião citada na Bíblia, e, portanto, eu me atrevo a dizer que a única plenamente Divina e pura é: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo. “Epístola de Tiago”.
Usar um versículo bíblico para aprisionar as pessoas é no mínimo, um grande equívoco. Ensiná-lo sem considerar o contexto histórico e textual é um dos desejos do inimigo de nossas almas. O Senhor Jesus não veio aprisionar pessoas em um ambiente registrado em cartório, na Receita Federal, com ata de constituição e CNPJ, não! O Senhor Jesus não veio nos amarrar ao sistema institucional religioso, imitação do judaísmo, não! O Senhor Jesus não veio dar continuidade ao velho modo de adoração e práticas mosaicas, não!
Ele veio rasgar o véu que separava o acesso entre o homem comum (não sacerdote) e Deus. Ele veio criar uma forma de adoração totalmente nova e que independe de lugar, de hora, de paredes e ritos. Ele veio gerar na terra Novas Criaturas nascidas espiritualmente e que se relacionam com Deus, chamando-o de Pai.
O Senhor Jesus veio cumprir a Lei que de alguma forma nos era contrária cravando-a na cruz para que pudéssemos servi-lo com amor e gratidão. Ele veio cumprir definitivamente qualquer forma de sacrifício para que não fosse necessário que continuássemos a sacrificar. Ele veio também nos salvar de nós mesmos, nos livrando do grande pecado da vanglória (gloriar-se em seus feitos).
Não deixar a congregação não tem nada a ver com não deixar a denominação.Mas, usando o texto sem analisar a real intenção do seu uso, dá a entender isso.
Congregação tem a ver com reunião, com a forma de ajuntar-se em torno do nome de Jesus Cristo. Não é reunir-se em torno de um líder, de uma placa, de uma religião, é reunir-se ao nome do Senhor Jesus, somente. Os apóstolos de Cristo tinham uma maneira de reunir-se e devemos ter muito cuidado ao analisar isso, não é chegar de qualquer forma, com quaisquer práticas mencionadas no Antigo Testamento, e achar que isso é um padrão deixado pelo nosso Senhor.
Quando Jesus se encontra com a mulher samaritana, e antes mesmo de ser interrogado a respeito do “lugar de adoração”, pois percebe na afirmação daquela mulher o que ela iria perguntar, Ele é categórico em afirmar que o importante é a forma e não o local. Ele diz:
“Crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade”.
Não depende de um lugar, e sim, de uma forma correta. Que forma é essa? Em Espírito e em Verdade! Pois Deus é Espírito, e sendo assim, não somos presidiários de templos feitos por mãos humanas.
Mas, o que seria essa adoração em Espírito e em Verdade? Que tal perguntarmos para Paulo? “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional; e não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que proveis qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
Então, adorar em Espírito é oferecer a própria vida, o próprio corpo como sacrifício vivo, vivo e não morto, constante, permanente, que se movimenta, sacrifício contínuo a Deus, separado para Deus, agradável a Deus, isso é o culto racional, o culto inteligente: estilo de vida transformada pelo Espírito Santo.
E não vos conformeis, não vos contenteis com este mundo e o que este mundo ensina, e o que este mundo prega, mas, transformai-vos pela renovação da vossa mente, pela mudança do nosso modo de pensar e agir, o nosso modo de enxergar o mundo ao nosso redor, tudo transformado pela mente de Cristo. Culto racional não é um momento, é um estilo de vida, entenda isso!
Mas, então o que significa não deixar a Congregação?
Significa não deixar o padrão deixado por Jesus para voltar ao velho rito. Significa não abandonar as práticas da igreja primitiva, e que já foi abandonada pela grande maioria dos cristãos. Significa não voltar para o judaísmo e remendar o véu que outrora já foi rasgado. Significa entender o sacerdócio individual de todo crente em Cristo, e não depender da intermediação humana de homem algum no relacionar-se com Deus.
Significa não repetir o erro dos fariseus que se consideravam justos por frequentarem o templo e serem dizimistas. Significa servir a Deus em novidade de vida e não na caducidade da letra. Significa entender que o verdadeiro templo não é de pedras e tijolos, mas, de pedras vivas (pessoas).
Os discípulos perseveravam no templo, sim, é verdade! Mas para quê? E até que ponto fizeram isso? Para compartilhar o que de Cristo tinham aprendido, para ensinar as Boas Novas da Graça, afinal, aquele era o local onde as pessoas se reuniam, onde iam multidões. E detalhe: essas pessoas não ficavam no templo propriamente dito, ficavam no pátio.
Quer saber até quando os apóstolos fizeram isso? Até serem expulsos pelos fariseus, pois templo não era lugar de ensinar o Evangelho, e sim, de ministrar o sacerdócio da Antiga Aliança, assim como é na maioria das denominações, infelizmente!
Quem ensina que os apóstolos perseveravam no templo, para justificar a ida, deveria ensinar também o que vem após isso no mesmo livro de Atos. Mas, para quê hein? Isso seria inconveniente. Quem ensina que Jesus purificou o templo derrubando as mesas dos cambistas e chamando aquele lugar de Casa de meu Pai, deveria ensinar também o que vem depois disso, no mesmo Evangelho de Jesus. Você leu querido (a) o Evangelho todo?
As Escrituras afirmam que chegaria um tempo em que não suportariam a sã doutrina, não suportariam os pensamentos de Deus, a vontade de Deus, mas, ao contrário arrumariam para si mestres conforme as suas concupiscências, conforme os seus desejos. E optariam em ouvir aquilo que fosse agradável aos ouvidos, aquilo que é gostoso e não aquilo que é verdadeiro, preferindo as fábulas, as mentiras.
O escrito aos Hebreus é a carta onde mais é denunciado o legalismo cristão (inserção do judaísmo nas práticas da Igreja), e mesmo assim é usado com outros propósitos diferentes do original registrado em sua totalidade. Se você foi chamado a ensinar a Palavra aos irmãos, peço-te em nome de Jesus que comece a ensiná-la como ela é, em sua totalidade. Não queira tapar o sol com a peneira! Ensine o Evangelho do Senhor Jesus e não aquilo que é conveniente. De nada adianta usar o dom que Deus lhe deu para aprisionar as pessoas, pois isso nunca foi e nunca será Evangelho.
O Evangelho de Cristo, diferente das falácias religiosas, Liberta, não aprisiona! O Evangelho do Reino de Deus aqui na terra deve ter como excelência o amor ao próximo e não a fala incoerente das vozes fanáticas por qualquer coisa, menos por Jesus. Pense nas palavras do escritor aos Hebreus, e desta vez não cito referências, apenas livros, para incentivar os irmãos a lerem a Bíblia, ao invés de lerem porções. Está escrito:
“Nós temos um altar do qual não têm direito de comer os que ministram no tabernáculo (símbolo da antiga aliança). O sumo sacerdote leva sangue de animais até o Santo dos Santos, como oferta pelo pecado, mas os corpos dos animais são queimados fora do acampamento”.
Assim, Jesus também sofreu fora das portas da cidade, para santificar o povo por meio do seu próprio sangue. Portanto, saiamos até ele, fora do acampamento (fora do arraial, fora do aprisco), suportando a desonra que ele suportou. Pois não temos aqui nenhuma cidade permanente, mas buscamos a que há de vir. 

Fonte:http://eclesia.com.br/portal/nao-deixar-a-congregacao-nao-tem-nada-a-ver-com-nao-deixar-a-denominacao/

Um comentário:

João Cardoso disse...

Parabéns ao autor. Vou aproveitar e explicar com detalhes o que está ocorrendo nos dias de hoje. Todas as Igrejas com ou sem ministérios, não fazem as obras sociais. Jamais tentarão imitar a Igreja Primitiva, que tristeza. Quando um oficial de igreja não está contente ou reprova qualquer atitude de seus pastores ou presidentes de ministério; o que faz?.
Abre uma outra igreja e inicia outro ministério cometendo os mesmos erros, querendo apenas as lãs das ovelhas (dízimos e ofertas) e não fazem obras sociais, que é ajudar órfãos e viúvas e também outros necessitados, e não adianta criticar-mos, eles sempre alegam que estamos murmurando ou revoltando. Falar a verdade na minha opinião não é murmuração. O que eu posso aconselhar é os irmãos que tenham condições de formar um bom grupo de pessoas nas suas casas, podendo ser em um salão ou garagem; formar uma igreja, e as arrecadações uma porcentagem fica para o dono da casa para ajudar nos gastos de consumo (água e luz) outra parte da arrecadação fica para que a igreja possa trabalhar fazendo as obras.
Estas grandes igrejas com seu presidentes de ministério (donos de igrejas) usam de artimanhas afirmando que fazer as obras de Deus é apenas evangelizar ou seja pregar a palavra de Deus. Claro que isto é verdade mas não é somente isto, cuidar das ovelhas também, mas grande parte da arrecadação dos dízimos e ofertas levam para a igreja matriz (sede), e a igreja local se quiser ajudar com uma simples sexta aos irmãos, terão que fazer a famosa campanha do quilo. que vergonha
Jesus é nosso sumo sacerdote, não temos mais o Altar que é lugar de Sacrifícios. Igreja evangélica possui Púlpito e não Altar, mas os Pentecas (pentecostal) chamam o Púlpito de Altar.
Nossas orações chegam ao Altar de Deus lá no céu, mas devem ser em nome de Jesus nosso único mediador. Agradeço a Deus pela participação neste comentário, e que o Senhor derrame muitas Bençãos aos participantes deste Blogger. Shalom Adonai.